Sábado, Maio 22, 2004

 
Em sua cabana na floresta de Boom, Aniel repousa em sua cama. Enquanto observa alguns dos animais da floresta brincarem despreocupados ao seu redor, sua mente divaga e ela não parece se perturbar pelo barulho intermitente do martelo de seu marido, que fabrica escudos de madeira do lado de fora. Suas divagações, porém, são interrompidas quando seu cristal de comunicação começa a piscar, chamando sua atenção. É a rainha Ebona, de Darmstadt.

Ebona: Aniel, preciso de você! Meu cãozinho está doente, e ninguém sabe dizer o que ele tem! Só você pode me ajudar!
Aniel: Claro, alteza! Estou a caminho agora mesmo.

Aniel junta seus instrumentos de veterinária e avisa a seu marido que está de partida para Darmstadt. Casado com uma das druidas mais requisitadas do mundo élfico, Fael já está acostumado com essas jornadas repentinas de sua esposa, que costuma ser chamada por pessoas de todos os cantos do mundo para tratar de plantas, animais ou pessoas de todas as raças. O casal se despede e ele apenas a deseja um bom trabalho.

Após alguns dias de viagem, Aniel finalmente chega a Darmstadt. Ao cruzar os portões da cidade, ela se depara com uma cidade destruída pela guerra. As poucas casas de pedra que ainda estão de pé tiveram seus telhados de palha queimados pelas forças inimigas. No chão de terra batida, a poeira e o sangue dos feridos e mortos em batalha se misturam, formando barro e lama. O cheiro não é nada agradável. Com tantas pessoas feridas precisando de ajuda, é difícil continuar rumando para o castelo sem parar para prestar socorro, mas Aniel tem um chamado a atender.

Ao chegar no castelo da rainha Ebona, no centro da cidade, Aniel é recebida pela rainha em pessoa. Estranhamente, ela não parece se preocupar com o estado caótico em que sua cidade se encontra. Pelo contrário, parece que seu cão é tudo o que importa, pois ela logo o traz para ser examinado.

Ebona: Aniel, que bom que você veio! Estava tão preocupada! Tome! Pegue meu cãozinho! Por favor, descubra o que ele tem! Só você pode ajudá-lo! - A rainha chora copiosamente e está claramente perturbada devido ao estado de saúde de seu animal.

Após alguns exames, Aniel constata que trata-se de uma doença rara, e comunica a gravidade à rainha, que fica mais desesperada:

Ebona: Por favor, faça alguma coisa! Não o deixe morrer!
Aniel: Tentarei tratá-lo com algumas ervas que trouxe comigo, mas é quase certo que terei de recorrer a um tratamento mais especial.

De fato, o curativo não parece surtir efeito e Aniel constata que não poderá curá-lo sem ajuda.

Aniel: Terei de levá-lo ao lago Ladrugo, onde vive a conhecida druida Adjana. Apenas ela e as águas mágicas desse lago poderão salvá-lo e sua presença, alteza, como dona do cachorro, será essencial para o ritual ter sucesso.
Ebona: Nesse caso, precisaremos de proteção durante nossa viagem até Ladrugo. Vou chamar meu amigo Bankai para nos acompanhar.

***

Nesse momento, o elfo Aenor chega aos portões de Darmstadt, após dias de viagem a pé desde o reino élfico de Mendor, sua terra natal. A destruição que ele vislumbra de fora da cidade o faz hesitar por um momento antes de cruzar os portões. Porém, nada daquilo o espanta, e imagens da guerra que ocorreu naquele local cruzam sua mente. É então que Aenor ouve gemidos abafados, vindos de seu lado esquerdo. Trata-se de um soldado humano, provavelmente um dos combatentes da guerra, que se encontra ainda trajando sua armadura, deitado à sombra de uma árvore. "Deve estar gravemente ferido", pensa ele, e resolve se aproximar para tentar ajudar.

Aenor: Você está bem? - pergunta, colocando gentilmente sua mão sobre o ombro do ferido. Como não obtém resposta, ele tenta novamente:
Aenor: Precisa de ajuda?

Espantado, o homem rapidamente saca sua espada e a aponta para Aenor, que, de um salto para trás, também empunha sua espada.

Soldado: Quem é você?! - pergunta o humano, perturbado.
Aenor: Acalme-se, não procuro briga. Meu nome é Aenor Galathael, e estou aqui em busca de informações sobre meu pai. E você, quem é?
Soldado: Me chamo Garrett von Falkenberg...

Alguns camponeses de Darmstadt, curiosos, se juntam ao redor dos dois, esperando que tenha início uma luta. De repente, um homem surge à cavalo e atravessa os portões da cidade. Após abrir caminho por entre as pessoas, pára brevemente ao lado dos dois e finca no chão uma placa, interrompendo a discussão e seguindo seu caminho logo depois. A placa atrai a atenção de ambos, que embainham novamente suas espadas para lerem os seguintes dizeres:


Rainha Ebona procura guerreiros

para escolta. Paga-se bem.



Sem dar muita importância à placa, Garrett reinicia conversa, agora de maneira mais civilizada:

Garrett: Você disse Galathael, não é? Eu lutei ao lado de um elfo de Mendor com esse nome... Faranor Galathael.
Aenor: Sim, era meu pai! Você sabe onde ele está?
Garrett: Sim... me pague uma bebida e eu contarei o que sei.

***

Não muito longe dali, o monge Bankai tem suas meditações interrompidas pelo pulsar de seu cristal de comunicação.

Ebona: Bankai, é você?
Bankai: Quem mais poderia ser! O que você quer dessa vez?
Ebona: Preciso de seus serviços! Veja, meu cãozinho! Venha me ajudar, preciso levá-lo até Ladrugo! - chorando, a rainha tem dificuldades para articular suas frases.
Bankai: Não! - responde seco Bankai, impassível.
Ebona: Estou disposta a pagar 100 peças de ouro.
Bankai: Não me interessa!

Ebona bufa de raiva e interrompe a comunicação. Bankai apenas sorri. Segundos depois, seu cristal começa a brilhar novamente.

Ebona: Bankai, sou eu de novo! Por favor, me ajude!
Bankai: Posso ir com você por 200 peças de ouro.
Ebona: 200?! Mas isso é muito caro!
Bankai: É você quem sabe. Por menos de 200 eu nem saio do meu templo.
Ebona: Tudo bem, tudo bem, você venceu. Mas gostaria de lhe fazer um pedido: Será que você poderia convidar seu amigo Gilbert para nos acompanhar? Você poderia dividir seu pagamento com ele.
Bankai: Aquele bardo barulhento? Você tem certeza?
Ebona: Ah, sim! Por favor! Sou grande fã dele!
Bankai: Tudo bem, vou ver o que posso fazer. Até breve.

Sem tirar as mãos do cristal, Bankai mentaliza Gilbert. Em pouco tempo, a imagem de seu rosto surge como um holograma acima do cristal de Bankai.

Bankai: Gilbert, seu preguiçoso! Vamos, a rainha está nos chamando para uma viagem.
Gilbert: A rainha Ebona? Mas... para onde vamos?
Bankai: Ladrugo.
Gilbert: E ela pretende nos pagar por isso? Quanto?
Bankai: 10 moedas.
Gilbert: Que bom! Estou a caminho!

Logo Gilbert chega ao templo de Bankai e bate na porta.

Gilbert: Bankai? Posso entrar?
Bankai: Nem mesmo OUSE pisar no meu templo!
Gilbert: Mas...
Bankai: (interrompendo) Sem mais, nem menos! Vamos, já estou aqui!

De lá, rumam para o castelo no centro de Darmstadt. Às portas do castelo, são recebidos por um dos últimos guardas sobreviventes da rainha, que não se mostra muito entusiasmado:

Bankai: Olá...
Guarda: ZzZzzzZz...
Bankai: OLÁ!!!
Guarda: Han? O quê? Quem é você? O que você quer?
Bankai: Meu nome é Bankai, quero falar com a rainha.
Guarda: Só um momento, verei se você está autorizado a entrar.

Bankai fica um pouco aborrecido pela burocracia do guarda. Afinal, a cidade está em ruínas! Que segurança ele pensa que está dando à rainha apenas com essa embromação no portão? De qualquer forma, ele prefere ficar calado enquanto observa o guarda entrar em contato com a rainha através de seu cristal de comunicação. Após alguns minutos, ele o autoriza a entrar.

Guarda: Alto lá! E você, quem é?
Gilbert: Meu nome é Gilbert e...
Guarda: (interrompendo) Ah! Gilbert! Mas que honra, o famoso bardo! Entre, entre! Me dá seu autógrafo?

Gilbert atende ao pedido alegremente, e em seguida ruma à sala do trono ao lado de Bankai.

***

Aenor: E então? Você já tem sua bebida. Por favor, me diga o que sabe sobre meu pai.
Garrett: Seu pai... - sentado com os cotovelos apoiados sobre o balcão da taverna, Garrett faz uma pequena pausa e toma um gole de seu hidromel, antes de continuar - Eu vi seu pai ser morto no campo de batalha.
Aenor: Impossível! Me recuso a acreditar nisso. - responde Aenor, irredutível - Você está certo do que está dizendo?
Garrett: Sim, e eu vi quem o matou. Foi Sir Tarquin, um mercenário como eu. Há tempos atrás, costumávamos fazer parte do mesmo bando.
Aenor: Você sabe onde ele está? Preciso tirar essa história a limpo!

Novamente, a conversa dos dois é interrompida, quando um dos homens da rainha faz uma entrada barulhenta na taverna, tocando uma trombeta:

Mensageiro: A rainha Ebona procura guerreiros para escoltá-la até Ladrugo! Aqueles que aceitarem acompanhá-la serão recompensados. Existe aqui algum voluntário?

Garrett: Aenor, eu não sei onde está Sir Tarquin, mas também estou a sua procura, pois tenho contas a acertar com ele. Acredito que ele deixou a cidade, mas é possível que tenha atendido a essa convocação da rainha. Talvez valha a pena ir até ela para perguntarmos por notícias dele.
Aenor: Tudo bem. Já que procuramos a mesma pessoa, vou aceitar seguir com você. - e dirigindo-se ao mensageiro real - Com licença! Estamos dispostos a escoltar a rainha até Ladrugo.
Mensageiro: Basta ir até o castelo. Ela irá recebê-los.
Aenor: E onde fica esse castelo? - pergunta Aenor, educadamente.
Mensageiro: Você é cego? - ele responde - Fica bem no centro da cidade, dá pra ver daqui!

Diante da falta de boas maneiras do mensageiro, Aenor decide simplesmente ignorá-lo e seguir até o castelo, acompanhado por Garrett.

Após serem anunciados pelo guarda dos portões (que estava novamente dormindo), ambos adentram a sala do trono, onde já se encontravam, além da rainha Ebona, a druida meio-elfa Aniel, o monge humano Bankai e o bardo meio-elfo Gilbert. Aenor dirige-se diretamente à rainha.

Aenor: Com licença... Me chamo Aenor Galathael e procuro notícias de Sir Tarquin. Você não saberia me informar onde ele está?
Ebona: Vocês vieram para nos acompanhar até Ladrugo? - pergunta ansiosa a rainha, aparentemente ignorando o que disse Aenor.
Aenor: Não, - insiste Aenor - vim em busca de informações sobre Sir Tarquin. Você o conhece? Sabe onde ele está?
Ebona: Tarquin... Tarquin... Sim, me lembro de um Sir Tarquin. - um tanto contrariada, ela prossegue - Ele lutou a favor dos golpistas que tentaram tomar meu trono, após minha derrota na guerra contra os elfos de Mendor. Mas ouvi dizer que ele deixou a cidade depois que o golpe não deu certo, juntamente com outros mercenários que participaram dele.
Aenor: Sir Tarquin tem informações sobre meu pai, preciso encontrá-lo. Você sabe para onde ele foi?
Ebona: Não sei, não sei! - mimada, a rainha perde a paciência - Só digo para onde ele foi se vocês dois nos ajudarem.
Aenor: De que tipo de ajuda vocês precisam? - pergunta ele, visivelmente contrariado.
Aniel: O cãozinho de estimação da rainha está muito doente - Aniel responde por Ebona - e precisa ser levado até Adjana, a poderosa druida que vive às margens do lago Ladrugo.
Aenor: Um momento... você não é Aniel? Da floresta de Boom?
Aniel: Sim, sou eu...
Aenor: Olá Aniel! Sou Aenor, filho de Amindel e Faranor! Minha mãe costumava ir até a floresta de Boom a procura de ingredientes mágicos, e meu pai utilizou muitos dos escudos de madeira fabricados por seu marido Fael, em treinamentos.
Aniel: Sim, estou lembrada de você!
Bankai: Tá, - Bankai interrompe - vocês dois já discutiram toda a árvore genealógica. Será que agora nós podemos seguir viagem? Vocês vêm conosco ou não?

Aenor fica relutante. Ele odeia que o digam o que fazer, e existem coisas mais importantes do que levar um cão doente até um lago. Ele precisa encontrar seu pai! Aenor pede para examinar o animal doente. Após alguns exames superficiais, ele pede permissão à rainha para tentar fazer curativos utilizando algumas ervas que trazia em sua mochila.

Aniel: Não vai funcionar, ele precisa ser levado até as águas mágicas de Ladrugo. - alerta Aniel.

De fato, o cãozinho parece piorar com os curativos. Frustrado e contrariado, Aenor não parece nada disposto a acompanhar a rainha na viagem que se faz necessária. Notando isso, Garrett decide lhe dar um conselho:

Garrett: Aenor, vamos seguir com a rainha. Aparentemente, ela é a única pessoa que talvez possa nos dar informações sobre Sir Tarquin. Não temos outra escolha. - Como Aenor permanece relutante, ele prossegue - Bem, se você não vai, vou eu. Estou às ordens, majestade.
Aenor: Tudo bem. - finalmente responde Aenor - Não tenho mesmo outra escolha. No caminho para Ladrugo, talvez eu ainda me depare com Sir Tarquin, ou talvez descubra onde ele está. E, nesse caso, seguirei meu rumo.
Ebona: De acordo. Que bom! Então podemos seguir viagem.
Garrett: Rainha... você pretende nos fornecer cavalos?
Ebona: Sim, sim! Tenho alguns cavalos que restaram da guerra. Porém, eles estão cansados, não sei se vão servir.
Garrett: Sendo um cavalo capaz de carregar minha lança e meu equipamento, está ótimo.
Ebona: Mmm... nesse caso, não vão servir mesmo. Vou encomendar cavalos do reino de Mendor. Embora sejam meus inimigos, devo reconhecer que eles possuem alguns dos mais belos cavalos que existem. Ainda tenho algum dinheiro para comprar quatro deles.

Assim ela o faz. Utilizando seu cristal de comunicação, Ebona pede por cavalos e é informada que um mercador havia saído de Mendor a alguns dias, e deveria estar chegando a Darmstadt a qualquer momento. De fato, em pouco tempo os maravilhosos cavalos são comprados e trazidos à rainha. Os quatro fortes animais, mais brancos que o branco, chegam equipados com bonitas selas prateadas e adornadas com os mais belos detalhes élficos.

Ebona: Que bom, nossos cavalos chegaram! Vamos seguir caminho? Espero que Gilbert não nege o meu pedido de vir comigo no meu elefante! Hihihi!
Gilbert: (encabulado) Eu? Hããã... tudo bem.
Aenor: Abro mão de minha montaria. Prefiro seguir a pé com o grupo do que judiar de um animal para me carregar.
Bankai: Não vou seguir com vocês não. Vão! Eu sigo atrás.

E assim, o grupo segue viagem para Ladrugo, em busca de ajuda da elfa Adjana. Na frente, entoando canções, Ebona e Gilbert vão no elefante real, ao qual vai amarrado o cavalo que deveria pertencer a Aenor. Este, por sua vez, segue-os de perto, a pé, juntamente com o mercenário humano Garrett, a cavalo. Mais atrás, a druida meio-elfa Aniel também segue a cavalo, levando consigo o cachorro real. Bankai os acompanha a alguns metros atrás.

***

O grupo toma a estrada de Flughafen e enfrenta um dia de viagem pelo deserto ao sul de Darmstadt. Após uma jornada sem grandes problemas, à noite resolvem montar acampamento à beira da estrada. Estranhamente, antes mesmo de ser acesa a fogueira do acampamento, Bankai procura afastar-se ainda mais do grupo e vai dormir em meio a uma vegetação próxima, a aproximadamente 30 metros de seus companheiros. Gilbert é convidado a dividir a tenda real com Ebona, enquanto os outros integrantes começam a armar suas barracas individuais, fornecidas pela rainha. Aenor é voluntário para se manter de guarda durante a noite, já que, sendo elfo, ele não precisa dormir. Enquanto todos descansam, ele se mantém de pé, em transe, para suas 4 horas diárias de repouso e meditação.

Subitamente, Aenor é despertado de seu transe pelo som de vozes murmurando e rindo a sua frente. "Viajantes, viajantes! Vamos roubar, roubar, sim sim! Tehehehe!" dizem os vultos de olhos vermelhos que lentamente se aproximam dele. Logo o arqueiro elfo pode distinguir as figuras de 15 traiçoeiros kobolds, trajados em farrapos e portando pequenas espadas e lanças, prontos para o combate. Sem hesitar, Aenor rapidamente saca sua espada curta e parte para o ataque!

Desferindo um movimento horizontal, o elfo investe contra o grupo de kobolds, procurando atingir o maior número possível deles. Consegue matar um deles e ferir outros tantos, mas os kobolds estão em maior número e conseguem feri-lo severamente em sua reação em grupo. No momento em que Aniel acorda com o barulho da batalha e se arma de sua glaive, a espada de Aenor começa a brilhar intensamente, tal qual fosse uma tocha. Cinco dos kobolds resolvem fugir e vão em direção à tenda onde dormem Gilbert e Ebona, enquanto os nove demais continuam lutando ferozmente contra Aenor. A ajuda de Aniel é bem-vinda, pois o jovem elfo tem dificuldades para lidar com tantos kobolds de uma só vez. Quando ela chega para a batalha, três dos kobolds se ocupam da druida meio-elfa, enquanto os outros seis continuam ferindo Aenor com suas espadas e lanças.

Percebendo toda a movimentação, Bankai desperta ao longe, mas prefere continuar deitado e não toma parte do combate. Ebona e Gilbert, por outro lado, ainda não haviam acordado com o barulho quando os cinco kobolds chegam à tenda real. Porém, ao abrirem o pano, os kobolds finalmente despertam o bardo Gilbert.

Gilbert: O que é isso, o que está acontecendo?! - exclama ele.

É então que o meio-elfo decide se defender utilizando seus poderes mágicos. Em um movimento rápido, ele projeta seus braços para a frente, apontando a palma de suas mãos para as criaturas agressoras, que observam apreensivas um brilho começar a surgir das mãos de Gilbert e tornar-se cada vez mais intenso! É então que... puf! Nada acontece!!! Os cinco kobolds riem-se enquanto Gilbert se lamenta, e um deles fere violentamente o famoso bardo em seu ombro direito, com sua lança!

Nesse momento, a sorte do grupo de viajantes começa a mudar quando Garrett é acordado pelo brilho da espada de Aenor! Rapidamente, ele se arma de sua espada longa para se juntar ao elfo e a Aniel no combate. Correndo em velocidade, Garrett, de um só golpe, consegue acertar e matar dois dos kobolds que atacavam Aenor. O elfo e o humano lutam contra os quatro kobolds remanescentes, lado a lado com suas espadas, enquanto Aniel consegue matar dois de seus três agressores. Aenor aniquila mais um, enquanto Garrett, exibindo toda a habilidade com sua espada longa, mata os outros três restantes. Logo depois, ele prossegue, seguido de Aenor, para ajudar Aniel. Enquanto a druida se defende do último kobold remanescente, Garrett o atinge com sua espada e Aenor o finaliza com um golpe no pescoço! Os três rumam à tenda de Ebona para ajudar seus outros companheiros.

Lá chegando, observam Gilbert, ferido, e Ebona, recém despertada, ambos sentados no chão, cobertos pela tenda que havia caído e cercados pelos cinco ladrões kobolds. De repente, Ebona abre os braços e exclama:

Ebona: Mísseis mágicos!

De suas mãos, saem dois progéteis luminosos de cor verde intensa, que atingem em cheio dois dos agressores, matando-os instantaneamente! Gilbert e Aenor disparam suas flechas, enquanto Garrett e Aniel partem para o combate corpo-a-corpo com os kobolds. Uma das flechas de Gilbert atinge um kobold na altura do estômago, derrubando a pequena criatura, sem vida, na areia do deserto. Aniel fere um dos outros kobolds sobreviventes, e o mercenário Garrett desfere o golpe final, matando os dois últimos assaltantes.

Ao fim da batalha, Aenor e Gilbert se encontram bastante debilitados, Aniel possui alguns ferimentos, e Garrett e Ebona conseguem sair ilesos. Os cinco erguem novamente as barracas e voltam a dormir, com Aenor novamente mantendo guarda. Ao longe, o monge Bankai pega novamente no sono.

***

Na manhã do segundo dia, todos acordam um pouco mais revigorados após o duro combate da noite anterior. Desmontam acampamento e seguem viagem em direção a Ladrugo, mantendo a mesma formação de antes: Gilbert e Ebona no elefante real. Garrett, a cavalo, e Aenor, a pé, acompanham mais atrás. Em seguida vem Aniel, levando cuidadosamente o animal de estimação de Ebona. Na retaguarda está Bankai, também a cavalo, mantendo certa distância do resto do grupo.

Durante o trajeto, Gilbert conversa com Aenor e ambos questionam a utilidade de Bankai para o grupo, um monge humano que anda com uma enorme foice mas não toma parte de lutas, sempre preferindo se manter a distância. À tarde, alguns dos viajantes percebem que seus cantis de água estão vazios, assim como o barril de água que fica no elefante de Ebona. É então que Aniel chama a atenção de todos.

Aniel: Vejam! A ponte de pedra está logo à frente, devemos estar próximos de Ladrugo.

Após cruzarem a ponte, todos resolvem parar e analisar a água que passa no rio logo abaixo dela. Infelizmente, constatam que trata-se de uma água esverdeada e lamacenta, totalmente imprópria para beber.

Aniel: Se algum de vocês puder me fornecer um cantil vazio, poderei tentar purificar essa água e torná-la potável.

Ouvindo isso, Bankai se aproxima e oferece para o experimento o seu cantil, onde Aniel coleta um pouco da água do rio. Em seguida, a meio-elfa fecha os olhos e se concentra. Levantando o cantil acima de sua cabeça, ela profere algumas palavras ininteligíveis, no antigo idioma druídico, e o recipiente começa a ser tomado de uma suave luz azul. Após alguns segundos, todos observam curiosos para saber se a magia deu certo.

Aniel: Não... infelizmente não consegui. - diz ela, após analisar o conteúdo.

Decepcionada, Aniel devolve a Bankai o cantil, agora inútil e cheio de barro. Este toma distância novamente, desapontado, enquanto o grupo segue viagem.

Já é o final da tarde quando os viajantes finalmente conseguem avistar ao longe a enorme e imponente floresta onde fica Ladrugo, o famoso lago mágico. Acima das copas das árvores, é possível ver um morro que se ergue. O esperado encontro com a druida elfa Adjana está próximo, e Aenor calcula que, se prosseguir na mesma velocidade, o grupo conseguirá chegar à entrada da floresta antes do anoitecer, quando então eles poderão acampar.

Garrett: Melhor acamparmos aqui mesmo, distantes da entrada da floresta. Acampar muito próximo pode ser perigoso, já que algum animal selvagem pode sair da mata e nos atacar à noite.

Todos concordam e o grupo resolve levantar acampamento ali mesmo. Enquanto Aenor assume seu posto de sentinela e inicia seu transe diário, os demais montam suas respectivas barracas. Com exceção de Bankai, que mais uma vez prefere se recolher antes do anoitecer junto à vegetação rasteira que margeia a estrada. Em pouco tempo, a noite cai.

Já é madrugada quando Bankai é surpreendido pela sensação de algo frio e viscoso percorrendo sua perna. Sem precisar abrir os olhos, ele percebe que trata-se de uma cobra de aproximadamente 4 metros de comprimento, que vem subindo perigosamente. Com um movimento rápido, o monge acerta um forte murro na cabeça do animal, fazendo com que a cobra desmaie! Em seguida, sem se abalar, ele guarda cuidadosamente o pesado réptil dentro de sua mochila e volta a dormir.

Ao raiar do dia, os viajantes acordam e se deparam com uma cena insólita: Bankai resolve abrir sua mochila e libertar a enorme cobra capturada na noite anterior. Garrett se aproxima, assustado:

Garrett: Uma cobra?!
Bankai: Sim!
Garrett: Na sua mochila?!

Bankai, sorridente, não responde.

Garrett: Mas... como?
Bankai: Ela veio me fazer uma visita à noite, e agora está indo embora.

***

Em algumas horas, os viajantes chegam à face norte da floresta, onde o calor e a caatinga do deserto circundante repentinamente dão lugar ao frescor das altas árvores tropicais que esperam por eles logo à frente. Situada bem no meio do nada, não resta dúvida de que essa é mesmo uma floresta mágica. A vegetação é muito densa e emaranhada, e não há nem sinal de alguma forma de entrada. Porém, embora todos estejam exaustos por conta dos dois dias de viagem sem água no deserto, ninguém demonstra pressa em penetrar a floresta, pois não se sabe o que os aguarda lá dentro.

Aniel: E agora?
Ebona: Deve haver alguma forma de entrarmos.

Discretamente, Aenor afasta-se um pouco do resto do grupo. Escondidos por trás de seu capuz, seus olhos sem pupilas brilham de uma intensa luz amarela, enquanto ele sussurra palavras em élfico, como quem fala sozinho, sem ser notado:

Aenor: Adjana... Adjana... Se você estiver aí, por favor responda... Precisamos de sua ajuda...

É então que uma voz ecoa em sua mente, respondendo também em síndarin, a linguagem élfica:

Adjana: Sim... Estava a sua espera.
Aenor: Adjana, viemos em busca de sua ajuda, mas estamos do lado de fora da floresta... Existe algum meio de entrarmos?
Adjana: Sim... estou sentindo... há uma entrada próxima... à sua direita.
Aenor: Obrigado...

A luz de seus olhos se apaga, e ele se dirige aos outros:

Aenor: Venham! Existe uma entrada por aqui.
Garrett: (desconfiado) Como é que você sabe?

O elfo faz que não ouviu e, a alguns passos dali, uma abertura de aproximadamente dois metros de largura revela um caminho que adentra a floresta. O elefante real e os cavalos são deixados ali, e o grupo segue a pé mata adentro.

A poucos metros da entrada, o corredor de árvores se divide em três. No caminho da esquerda, pode-se notar que as árvores mudam: As folhagens assumem suaves tons de rosa, e muitas flores de todos os tipos e perfumes aparecem em meio às árvores e arbustos. No caminho do meio, as árvores também parecem diferentes: Suas folhas de coloração verde escura aparentam estar todas cobertas de neve. No caminho da direita, por fim, também se nota uma diferença: Algumas árvores não possuem folhas, enquanto outras possuem uma folhagem em cores que variam do marrom, passando pelo laranja, até o vermelho intenso.

Garrett: Primavera, inverno e outono... e agora, qual caminho seguir?
Ebona: Primavera, primavera! Eu quero ir pela primavera!
Aniel: Alteza, sinto uma magia muito forte por aqui!

Aenor se afasta novamente para um canto, procurando ocultar seus poderes mágicos. Mais uma vez, seus olhos começam a brilhar e ele tenta estabelecer comunicação com Adjana, sussurrando palavras em élfico:

Aenor: Adjana... Nos deparamos com uma trifurcação, e não sabemos qual caminho nos levará até você... Nos ajude, por favor...
Adjana: Desculpe, não sei ajudá-lo... nunca saí daqui!
Aenor: Por favor, Adjana... nos mostre algum caminho...
Adjana: Infelizmente, vocês terão de seguir sozinhos a partir daqui.

Seus olhos se apagam e os outros integrantes do grupo não parecem ter notado nada. Enquanto isso, a druida Aniel fecha os olhos, toca os lados de sua cabeça com a ponta dos dedos, e se concentra. Após alguns segundos, ela diz:

Aniel: Sinto... que existe uma armadilha... e ela está no caminho da primavera.
Garrett: E quanto aos outros caminhos?
Aniel: Os outros... - ela faz uma pausa - Não sei dizer, não consigo sentir nada.

O bardo Gilbert também fecha os olhos e se concentra. Segundos depois, ele respira fundo, abre os olhos, e comunica:

Gilbert: Também não consigo sentir nada nos outros dois caminhos. Talvez eles tenham armadilhas também.
Bankai: Acho que devemos seguir pelo caminho do inverno.
Garrett: Concordo, vamos pelo inverno.
Aenor: Seguirei o mesmo caminho que a rainha. Ela possui informações importantes sobre meu pai, por isso, vou protegê-la até que ela me diga.
Ebona: Ah, o inverno é muito feio! Então prefiro ir pelo outono.
Aniel: Eu também.
Ebona: E quero que Gilbert venha comigo, hihihi!
Gilbert: Oh, puxa...

Assim, o grupo se divide em dois. Bankai e Garrett seguem em frente pelo caminho do meio, enquanto os demais - Ebona, Aenor, Gilbert e Aniel - seguem pela direita.

***

A temperatura começa a cair drasticamente, as árvores começam a ficar mais fechadas, e a luminosidade começa a diminuir, à medida que Bankai e Garrett caminham com suas armas em punho, floresta adentro. Eles seguem quietos e atentos, observando o ambiente em volta deles ficar progressivamente mais sinistro. De repente, o silêncio é quebrado por um barulho de galhos e folhas acima da cabeça de Garrett. Ambos olham para cima e podem ver um pequeno macaco, de aproximadamente 60 cm de altura, com os pêlos tão brancos que ele se confunde em meio à neve das árvores. O animal, que os parece observar lá de cima, começa a segui-los saltando de galho em galho. Os dois continuam caminhando com cautela.

Garrett: Vou tentar dar a ele um pouco da minha ração que restou da viagem.

Garrett embainha sua espada longa e tira um pouco de comida de dentro de sua mochila. Cuidadosamente, coloca a comida no chão e ele e Bankai se afastam, devagar, seguindo em frente mas olhando para trás. O macaco salta da árvore e começa a comer. O monge e o mercenário ficam surpresos em ver que a boca do animal parece possuir uma abertura de quase 80 cm, revelando enormes dentes pontiagudos! Mais 3 ou 4 macacos brancos surgem do nada e se juntam ao outro na refeição. Logo, a ração é inteiramente devorada, e os macacos continuam seguindo-os, olhando fixamente para ambos. Bankai e Garrett se entreolham e apertam o passo, para logo depois notarem uma movimentação nas árvores ao redor. Agora já são 10 ou 15 macacos que os seguem.

Garrett: Não faça movimentos bruscos. Vou tentar despistá-los.

Garrett se abaixa e coloca no chão o restante de sua ração de viagem, mas os macacos a devoram ferozmente e logo a comida se acaba. Já são aproximadamente 50 macacos, espalhados por todas as árvores em volta deles e no caminho logo atrás.

Bankai: Prepare-se para correr!

Os dois humanos começam a andar cada vez mais rápido, enquanto os macacos começam a se aproximar de forma ameaçadora. Subitamente, um deles salta atacando Bankai, e dá-lhe uma forte mordida no pescoço que arranca-lhe sangue! Assustado, Garrett não consegue ver uma maneira de vencer tantos macacos com sua espada, quando três deles saltam raivosos sobre ele exibindo suas enormes presas! O mercenário está prestes a ser atingido, quando de repente... o tempo pára! Confuso, Garrett olha a seu redor e começa a caminhar, observando aquela cena. Os dois estão cercados, talvez por centenas de macacos brancos, todos prontos para atacar. A seu lado está Bankai, visivelmente transtornado, mas também sem se mexer. Que estranho! Parece que apenas Garrett é capaz de se mover. É então que, em meio àquele tumulto, uma figura de uma mulher surge como um fantasma, envolta em uma suave luz branca.

Santa Irene: Garrett... Não tema... Tudo ficará bem.

Sem entender, ele observa aquela mulher desaparecer diante de seus olhos, como uma névoa alva, e não diz nada. Essa já é a segunda aparição de Santa Irene, apenas nos últimos dias. O que isso poderia significar?

O tempo volta a seu curso normal, surpreendendo Garrett! Repentinamente, uma forte rufada de vento, vinda do caminho à frente, varre para longe todos os macacos, tal qual fosse um tufão! Junto com eles, Bankai também voa por 10 ou 15 metros e aterriza fortemente no chão, ficando um pouco atordoado. Apenas Garrett permanece de pé, e ambos observam os macacos fugirem assustados em disparada, desaparecendo em meio às árvores tão rapidamente quanto chegaram.

Bankai: O que diabos foi aquilo?!
Garrett: Não foi nada... - ele diz, ajudando seu companheiro a levantar - Vamos seguir em frente.

***

Ebona faz menção de tomar a dianteira quando Aenor a impede.

Aenor: O caminho pode ser perigoso, alteza. Deixe que eu vou na frente.

Assim, a rainha de Darmstadt o segue, ao lado do bardo Gilbert. Aniel os acompanha mais atrás. A temperatura cai um pouco e o ar se torna mais úmido, à medida que a paisagem das árvores ao redor vai se tornando avermelhada. Os viajantes observam intrigados essa estranha alteração no clima, quando o elfo Aenor sente que a magia do ambiente começa a se tornar mais forte.

Aenor: Esperem aqui. - diz ele, enigmático.

Os demais o atendem e permanecem observando, enquanto ele segue cautelosamente pelo caminho à frente. Pé ante pé, Aenor observa as árvores a sua volta, bem como o chão onde pisa, em busca de algum tipo de armadilha. É então que, ao dar um passo, ele sente como se o peso de sua perna direita houvesse quintuplicado! Surpreso, ele recua, até que sua perna parece voltar ao normal. "Deve ser um campo de lentidão", ele pensa, e então resolve continuar. De fato, ao seguir em frente, todo seu corpo parece ter aumentado de peso, dificultando seus movimentos. Lentamente ele segue, empunhando sua espada curta.

Gilbert: Nós vamos também!
Aenor: Fiiiqueeemmm onnnde estãããooo... - Aenor responde em câmera lanta, sem se virar.

Atento, o elfo percebe uma protuberância no chão à sua frente, estrategicamente escondida em meio a algumas folhas secas. Ele finca um graveto no chão, marcando o local, e se vira lentamente para o restante do grupo:

Aenor: Nãããooo piiiseeemmm aquiii...

Alguns metros depois, a gravidade enfim se normaliza e Aenor percebe que saiu do campo mágico. Em meio às árvores logo à frente, ele pode ver a armadilha da qual acabou de escapar: muitas flechas armadas em meio às folhagens, apontadas em sua direção.

Aenor: Podem vir agora! Procurem andar sobre meus passos, e tomem cuidado para não pisarem no local marcado pelo graveto. A partir desse ponto, sigam abaixados, pois estou vendo uma armadilha de flechas nestas árvores.

Como precaução, ele continua em frente rastejando. Gilbert é o primeiro a atravessar o campo mágico e, em seguida, fazer o mesmo. A druida Aniel é a próxima e procede da mesma forma. Por fim, vem Ebona. Enquanto os outros três viajantes prosseguem cautelosamente abaixados, ela, teimosa, resolve caminhar normalmente pelo trecho das flechas, ao invés de sujar suas belas roupas de rainha.

***

A temperatura do ar volta a subir, a neve começa a se arrefecer e as folhas das árvores exibem novamente um tom mais claro de verde. O caminho do inverno parece estar chegando ao fim, quando Garrett e Bankai notam que existe um caminho paralelo, à direita, que se junta ao deles mais à frente. É de lá que vem um estranho barulho, que chama a atenção de Garrett. O humano se esconde em meio às folhagens e, com a espada em mãos, fica à espreita. É apenas o restante do grupo que se aproxima, rastejando.

Ao ver Garrett, Aenor se põe de pé, apenas para notar que Ebona não havia seguido sua recomendação e, por sorte, não foi atingida por nenhuma flecha enquanto passava, de pé, pelo restante do caminho do outono. O elfo acena negativamente com a cabeça, apenas imaginando as dificuldades que teria de enfrentar para proteger aquela rainha mimada.

Com o grupo reunido novamente, eles seguem viagem em busca do lago Ladrugo.

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